Brasil perde de virada da Holanda e está fora da Copa


dunga

 

02 de julho de 2010 | 13h 06

ITAMAR CARDIN – Agência Estado

Dunga assumiu o comando da seleção em 2006, após a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo para a França, com o objetivo de apagar o fracasso brasileiro. Não conseguiu, no entanto, cumprir o seu objetivo. Nesta sexta-feira, o Brasil perdeu de virada para a Holanda por 2 a 1, no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, e foi eliminado nas mesmas quartas de final do Mundial da África do Sul.

Com a vitória desta sexta, a Holanda ampliou a sua invencibilidade para 24 jogos – a última derrota ocorreu em setembro de 2008, em amistoso contra a Austrália. E conquistou a terceira vitória de virada desta Copa do Mundo – antes, a Grécia venceu a Nigéria e a Dinamarca derrotou Camarões. Agora, os holandeses enfrentam na semifinal o vencedor de Uruguai e Gana.

Com o resultado, o Brasil desperdiçou ainda a chance de obter um grande feito histórico. O jogo contra a Holanda foi o de número 97 em Mundiais da seleção brasileira. Como disputaria mais dois na África do Sul se vencesse, chegaria aos 99 mesmo que perdesse a semifinal. Assim, completaria seu centésimo jogo na abertura da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, o que só ocorrerá agora na terceira rodada da primeira fase.

A derrota também acabou com a fama de algoz holandês de Dunga, presente na vitória por 3 a 2 nas quartas de final do Mundial de 1994 e na eliminação dos europeus na semifinal de 1998, quando o Brasil empatou por 1 a 1 e ganhou nos pênaltis por 4 a 2. Sem Dunga, a seleção brasileira havia perdido para o famoso "Carrossel Holandês" em 1974, por 2 a 0.

Para a partida de Port Elizabeth, o Brasil contava com o retorno de Felipe Melo, recuperado de contusão. Mas não tinha Elano, lesionado, e Ramires, suspenso, o que manteve Daniel Alves como titular no meio de campo. A Holanda, por sua vez, contou com um desfalque de última hora: Mathijsen sentiu um problema no aquecimento e foi substituído por Ooijer.

As mudanças ditaram o ritmo do primeiro tempo. Depois de um início truncado de jogo, o Brasil abriu o placar após Robinho receber passe magistral de Felipe Melo. A Holanda, com dificuldades para superar a impecável defesa brasileira, pouco criava mesmo depois de levar o gol. Sofria ainda com a insegurança de seu sistema defensivo, prejudicado após a saída de Mathijsen. Com os espaços, Daniel Alves brilhava. Dava bons passes, fintava pelas pontas, finalizava, em sua melhor atuação no Mundial.

Apesar do bom primeiro tempo, Felipe Melo foi o "vilão". No segundo tempo, o volante foi o responsável direto pela eliminação brasileira. Marcou um gol contra logo aos oito minutos – quando o time de Dunga ainda dominava -, falhou no segundo gol holandês aos 22 e foi expulso após pisar em Robben. Com um jogador a menos, o Brasil não teve forças para buscar a reação.

O JOGO – Com forte marcação no meio de campo das duas seleções, a partida começou truncada e com algumas faltas duras. Não demorou, no entanto, para que o Brasil se soltasse. E o confronto se tornasse emocionante. Aos sete minutos, Daniel Alves recebeu passe de Luís Fabiano ligeiramente à frente da marcação, carregou até a entrada da área e tocou para Robinho completar para as redes. Corretamente, a arbitragem marcou impedimento.

O gol anulado em nada desanimou a seleção brasileira. E apenas dois minutos depois, abriu o placar em bonita jogada. Felipe Melo recebeu no meio de campo e deu passe grandioso nas costas da zaga. Sozinho, Robinho apareceu na meia-lua e tocou na saída do goleiro Stekelenburg, em gol que dessa vez foi validado pela arbitragem.

O confronto não parava. Nem bem a seleção brasileira havia terminado de comemorar quando a Holanda quase empatou. Logo no minuto seguinte, Kuyt recebeu sozinho na esquerda, dentro da área, e bateu rasteiro para a boa defesa de Julio Cesar. Os holandeses seguiam pressionando nos minutos seguintes, mas com menos ímpeto. Bem marcado por Juan, Gilberto Silva e Michel Bastos, Robben pouco criava. Van Persie, anulado por Lúcio, também era improdutivo.

A partir dos 25 minutos, o Brasil retomou o controle. E por duas vezes chegou com muito perigo. Primeiro, Daniel Alves recebeu pela direita, driblou o marcador e cruzou rasteiro para Juan, que se antecipou à zaga e bateu com perigo, por cima. Na sequência, a seleção quase marcou um dos gols mais bonitos dessa Copa. Depois de fintar dois defensores, Robinho passou e Daniel Alves, de letra, clareou para Kaká na intermediária. O meia bateu colocado, no ângulo, e exigiu grande defesa de Stekelenburg.

Desencontrada em campo, a Holanda seguia apática. Protagonizava ainda alguns lances bizarros. Aos 35 minutos, em cobrança de escanteio, Robben deu leve toque com o bico da chuteira e, sem nenhum companheiro por perto, correu para a área. Daniel Alves, então, recuperou a posse. Superior, o Brasil quase ampliou aos 45, quando Maicon recebeu na direita e bateu firme, rasteiro, no canto. Stekelenburg espalmou para escanteio, mas o árbitro Yuichi Nishimura marcou o tiro de meta. Antes da cobrança, encerrou o primeiro tempo.

O ímpeto holandês não mudou após o intervalo. O jogo, no entanto, alterou completamente após falha brasileira aos oito minutos, quando Sneijder recebeu na direita e cruzou para a área. Julio Cesar saiu mal, a bola resvalou na cabeça de Felipe Melo e entrou para o gol, empatando a partida.

As duas seleções passaram a tocar mais a bola após o gol, sobretudo no meio de campo. E somente aos 15 minutos o Brasil chegou pela primeira vez: Daniel Alves recebeu na intermediária, driblou o marcador e arriscou para fora, com perigo. Com um cartão amarelo desde o primeiro tempo, Michel Bastos foi substituído por Gilberto. A seleção criou outra boa chance aos 20, após Kaká receber na meia-lua e colocar no ângulo, em bola que saiu por pouco.

Mas apenas dois minutos depois, após novo levantamento para a área, a Holanda foi mortal. Robben bateu escanteio, Kuyt desviou na primeira trave e Sneijder, após Felipe Melo falhar na marcação, completou para as redes. O panorama brasileiro ficou ainda pior aos 27, quando o volante da Juventus cometeu falta em Robben e pisou, em seguida, no atacante. Corretamente, recebeu o cartão vermelho direto.

O Brasil ainda criou algumas chances. Aos 36, após cobrança de escanteio, a bola atravessou a área e ninguém completou. Kaká também fez boa jogada aos 38, avançou pela esquerda e bateu prensado, em bola que saiu para escanteio. Lúcio ainda fez boa jogada aos 42 e sofreu falta na entrada da área, mas Daniel Alves acertou a barreira. A equipe de Dunga, a quarta seleção campeã mundial eliminada neste Mundial, encerrou de maneira melancólica o sonho de avançar à semifinal.

FICHA TÉCNICA:

Holanda 2 x 1 Brasil

Holanda – Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Ooijer e Van Bronckhorst; De Jong, Van Bommel e Sneijder; Kuyt, Van Persie (Huntelaar) e Robben. Técnico: Bert Van Marwijk.

Brasil – Julio Cesar; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (Gilberto); Gilberto Silva, Felipe Melo, Daniel Alves e Kaká; Robinho e Luís Fabiano (Nilmar). Técnico: Dunga.

Gols – Robinho, aos 9 minutos do primeiro tempo; Felipe Melo (contra), aos 8, e Sneijder, aos 22 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos – Heitinga, Van der Wiel, De Jong e Ooijer (Holanda); Michel Bastos (Brasil).

Cartão vermelho – Felipe Melo (Brasil).

Árbitro – Yuichi Nishimura (Japão).

Público – 40.186 espectadores.

Local – Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth (África do Sul).



Tópicos: Copa 2010, Futebol, Brasil, Holanda, Esportes, Geral esportes

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Sobre luizlopesfoto

Sou fotógrafo há 18 anos, trabalho com foto social e eventos, studio e agora, estou me dedicando um pouco a still.
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